O jornal japonês publicou reportagem sobre a LInha de Apoio aos Latinos
Veja a integra em: https://www.asahi.com/articles/ASTD915WKTD9ULOB021M.html
Abaixo a tradução da reportagem:
Apoio em língua materna – linha da vida
Há uma organização que oferece, há mais de 30 anos, aconselhamento telefônico em espanhol e português para pessoas das comunidades latino-americanas que vivem no Japão. Trata-se do serviço de atendimento em línguas estrangeiras do “Yokohama Inochi no Denwa LAL”, na cidade de Yokohama. Entre todos os serviços de prevenção ao suicídio do país, Yokohama é o único que atende nessas duas línguas, e o número total de consultas já ultrapassa 34 mil.
No dia 3 deste mês, ao visitar a instituição, uma voluntária estava atendendo ligações na sala de consultas. A coordenadora, Ruth Toyomi Fujii (66), nikkei brasileira que atua na mediação dentro e fora da organização, comenta: “Quando a pessoa consegue falar em sua língua materna e se acalmar, nós também ficamos felizes. Gostaria que ligassem sem hesitar, mesmo por coisas pequenas”.
Os atendentes são voluntários. Eles passam por cerca de um ano de formação, estudando psicologia e técnicas de atendimento telefônico, e precisam ser aprovados em uma avaliação. Aproximadamente 40 pessoas — entre japoneses e imigrantes de cerca de dez países da América do Sul, como Brasil, Peru, México e Colômbia — se revezam nos turnos.
Quando o serviço foi inaugurado, em 1980, o atendimento era apenas em japonês. Em 1990, com a reforma da Lei de Imigração, aumentou rapidamente o número de nikkeis brasileiros e peruanos que vinham ao Japão para trabalhar. Diante do pedido do governo da província de Kanagawa para oferecer suporte às questões de saúde mental desses estrangeiros, em 1993 começaram a aceitar consultas em espanhol e português.
No início, como o lado japonês ainda não estava totalmente preparado para recebê-los, havia mais consultas sobre “dificuldades do dia a dia” — como procedimentos em repartições públicas ou problemas de comunicação nos hospitais — do que questões diretamente relacionadas à saúde mental.
Gradualmente, as consultas de saúde mental aumentaram e, hoje, o conteúdo é variado, incluindo problemas de relacionamento no trabalho e conflitos familiares. Para oferecer cuidado emocional e prevenir o suicídio, o serviço atende três vezes por semana. No ano fiscal passado, foram registradas 857 consultas.
Segundo Ruth, desde a pandemia de Covid-19 aumentou principalmente o número de pessoas que relatam sentir “solidão”. Além disso, vêm se destacando consultas relacionadas ao “envelhecimento” e ao “desemprego”. Muitas pessoas que chegaram ao Japão há cerca de 30 anos, agora com 50 a 60 anos de idade, dizem: “Quero conseguir um novo emprego, mas não encontro”.